8.01.2016

era a gota.

Antes era gota. Orgulhosa, teimosa, insistente. Mas era somente uma gota. Depois veio outra, num momento distraído. Gota mais saudosa, sozinha, pesada, determinada em cair. A elas se juntou uma terceira. A terceira trouxe a quarta em seguida, quase como se fossem uma só. O pensamento pesou, os sentimentos confundiram-se, mas o orgulho estava lá.

As quatros gotas acabaram por formar um riacho. Frágil, quase invisível, mas insistente. Queriam virar rio, cair em uma cachoeira, seguir em um lago e se misturar. Tanto forcaram que viraram rio. E o rio desaguou. Virou correnteza, trazendo consigo tudo que um rio caudaloso traz. Turbulento, intenso, arrebatador. Misturou meu orgulho com dor e saudade, e me fez lembrar do que quis esquecer.

O rio, buscando seu caminho para o mar, inundou o que encontrou pelo caminho. Chegou em um lago gigante, que banha um local diferente, que cria estórias estranhas e aniquila sonhos. A gota, que era riacho, rio e lago, virou motivo. Uniu-se com outras gotas, que insistem em cair daqueles que sabem que erram. Que esperam o passado, Que desejam voltar. Que enxergam sua própria solidão.

A gota me convidou a mergulhar no lago.


Talvez eu já tenha mergulhado e nem sabia.

6.12.2013

relacionamento

Vendo o dia dos namorados passar, percebi vários textos e opiniões sobre valorizar a "solteirice", e resolvi dar meu pitaco sobre relacionamento e "dia dos namorados".
O ser humano é lindo, mas através de nossa existência, conseguimos, através de nossos medos e desejos, nos cercar de sofrimento e buscar as soluções para o sofrimento fora de nós. Em resumo, nos estragamos todo. E nossa vida nada mais é do que tentar retornar a este estado de beleza natural que possuímos. Aí que entram os relacionamentos.
  "Estar em um relacionamento sério" não é uma decisão completamente racional (e muito menos somente uma mudança de status no facebook). Se a sua decisão foi, desculpe. Você errou. Relacionamento amoroso com alguém é algo que acontece inconscientemente, irracionalmente. A razão serve para colocarmos dentro do padrão estabelecido, conforme nosso relacionamento vai se aprofundando (namoro, noivado, casamento...). A escolha de estar num relacionamento é uma escolha do corpo e alma, não só da mente. Só precisamos estar disposto a isso.
Relacionar-se amorosamente (falo do amor Eros, citando uma definição mais ou menos), não é uma tarefa fácil, mas é uma tarefa linda. Acredito que seja o melhor modo de você aprender a se conhecer. Afinal do outro lado, há uma pessoa que invariavelmente vai apontar suas características que você menos gosta ou que você nem sabia que existia em si. Com outra pessoa, num relacionamento sério, seu lado sombrio vai aparecer, mais cedo ou mais tarde. Seu egoísmo, sua raiva, seus medos. E, se você estiver dedicando-se a este relacionamento, de verdade você terá que enfrentá-los e compreendê-los. Se não fizer isso, a chance de ganhar um "pé na bunda" é bem grande. Ou mesmo dar um “pé na bunda” da outra pessoa porque ela é chata. Afinal, quando estamos sozinhos, podemos postergar e enrolar-nos para não mostrarmos este outro lado nosso. Com outra pessoa, após alguns meses, mesmo que você não queira admitir, ela já percebeu nossa sombra. E conforme o tempo passa, ela vai descobrindo mais e mais. Não tem escapatória.
Temos também que entender e compreender o lado sombrio do parceiro. E isso é um ótimo exercício para nossas características "boas": a paciência, a compaixão, a amizade. E lado "sombrio" do parceiro não é visitar os parentes, amigos de quem não gostamos ou fazer aquele programa chato que ele adora, mas sim ver quando ele foi egoísta, mesquinho, medroso, covarde, etc...
E isso é lindo! Afinal, dentro de um relacionamento conseguimos chegar (lembrando que não é o único modo) ao amor pleno, mesmo que em poucos, mas valiosos momentos. Que oportunidade que temos de perceber a diferenças, praticar o desapego, praticar a compaixão, amar. Sem recompensas, somente amar.
Como falei antes, não é uma tarefa fácil. Difícil porque entramos numa viagem de autoconhecimento do qual não poderemos escapar, e ela é dolorosa na maioria das vezes. Mas que ótimo que estamos com alguém que nos ama do nosso lado!
Relacionem-se. Relacionem-se e tornem-se pessoas melhores. Errem e acertem. Acredito (e espero) que eu esteja me tornando uma pessoa melhor.

E o dia dos namorados, por mais comercial que seja a data (e varia ao redor do mundo), a meu ver, deveria ser para isso. Para os casais lembrarem e celebrarem esta conquista de ir melhorando aos poucos, construindo aos poucos. O relacionamento é feito e construído no dia a dia, mas precisamos de datas comemorativas para lembrar-nos das delícias e dificuldades que é se relacionar.

2.27.2013

dia a dia


““ O que está acontecendo? ”É noite de lua cheia. Transformo-me lobisomem, porém, corro para comprar meu Gillette Mach 3 para me depilar e agradar as mulheres. Nenhuma apareceu. Resolvi tomar uma Coca Cola para conseguir 123 calorias de energia positiva. A energia positiva ficou pelo abdômen mesmo. Andando, fui em busca de coisas do meu jeito. Acabei no Burger King. Comprei um livro de autoajuda para conseguir sair desta rotina, procurei a resposta da vida no Google, fui até um lugar sem fronteiras e acabei na TIM. Saí desnorteado pela Avenida Paulista, pedalando em busca de milhas perdidas do meu cartão de credito. Queria asas, mas só tinha Redbull. Morri atropelado por um 4x4 qualquer dirigido por alguém que tomava seu cervejao, sem preocupação. Afinal, país rico é pais sem pobreza.”

12.22.2012

Why love isn´t always the answer?

Dívida, medo, solidao, fuga, conformismo, paralisia.

Por que o amor nao é sempre a resposta?

Família, conforto, estabilidade, futuro, objetivo, ganância, casa, acumular.

Por que o amor nao é sempre a resposta?

Drogas, bebida, balada, one night stand, felicidade, comprimidos, corpo, sucesso.

Por que o amor nao é sempre a resposta?

Indiferença, riqueza, pobreza, luta, apatia, realidade.

Por que o amor nao é sempre a resposta?

Presentes, ausência, brigas, vitória, heróis, círculo, mesmice.

Por que o amor nao é sempre a resposta?

Inteligência, cultura, viagens, platinum, luxo, bon vivant.

Por que o amor nao é sempre a resposta?

9.03.2012

cavalos de pau


Eu jamais me atreveria tentar entender, ou explicar o sentimento das pessoas mais próximas a ele. Afinal, apesar de conhecê-lo um pouco, não era tão próximo dele.

Por isso, prefiro lembrá-lo pelos momentos que passei com ele. E admirá-lo pela felicidade e fé das pessoas mais próximas a ele.

O que eu sei, é o que todos sabem: ele é especial. Ele tocou as pessoas. Sua história fez muitos mudarem, fez muitos se unirem, muitos orarem. Surgiu muito alarde também. Talvez até um princípio de “oba-oba”, alguma mitificação exagerada, coisas que não concordei na época.

Na verdade, lembro mais dele pela felicidade simples que ele me passava durante o tempo que estive junto dele. Da risada que ele dava quando me pediu para ficar fazendo cavalos de pau nas ruas da Riviera de São Lourenço, quando fomos viajar. De ficarmos jogando futebol americano e bumerangue no meio da praia. Das piadas sujas e completamente impróprias de serem escritas aqui. De noites jogando videogame. Da sua fé inabalável (que eu, questionador e às vezes polêmico, não conseguia compreender). E de como ele fazia bem para o meu afilhado de crisma.

Uma semana depois de ele ter ido de encontro ao pai, por culpa daqueles desígnios secretos maravilhosos de Deus, tive que passar, por causa do trabalho, na frente da Riviera de São Lourenço. Fui, vistoriei uma obra, e na volta, não aguentei e entrei na Riviera. Fui até a mesma rua que, alguns meses atrás, ele havia me pedido para fazer os cavalos de pau com o carro. E fiz de novo, chorando de tristeza e felicidade, completamente em paz. E, naquele momento, girando com o carro, entendi um pouco do que ele foi para mim, o que foi para nós.

O nosso milagre.

Um ano se passou. E pode passar a vida inteira. Mas aquele momento, que eu fiquei girando meu carro numa rua de areia, com todo aquele turbilhão de emoções, e ao mesmo tempo, em paz, já é suficiente para eu agradecer a Deus pela vida que tive.

Obrigado Renato.

11.21.2011

brilho

Eu vi brilhar. Uma luz diferente, única. E a única coisa que pude fazer, foi sorrir. Essa luz, tão inesperada, tão marcante, me deu a certeza de continuar, de querer mais, e de agradecer.
Esse brilho surgiu nos seus olhos. Eles já brilhavam. E continuam brilhando. Mas, naquele momento, eu vi brilhar mais intenso, mais forte, mais sincero. E apesar de eu não perguntar mais as razões da vida, não consigo acreditar nesse presente que eu estou recebendo. Na profundidade disso. De como faz bem, como faz eu querer fazer bem. Quero melhorar. Quero ser melhor para você. Já sou melhor por sua causa. Já sou feliz porque vi esse brilho. De poder partilhar. De poder ver seu sorriso, sua risada, seu olhar profundo, de poder admirar-te. Me perco tanto em você que viro eu mesmo, simples puro.
Quero ser seu abrigo, compartilhar suas lágrimas, virar seu amigo, roubar seus lábios, ter seus abraços, nos perder em carícias, ver juntos o fim do dia...

e sempre, sempre, quero esse brilho.

11.07.2011

Durante muito tempo eu questionava os motivos do universo. Porque algo acontecia? Como isso refletia em mim? Minhas buscas pareciam intermináveis. Ansiava respostas. Acreditava percorrer um bom caminho, boas buscas, boas tentativas, e enormes conquistas.
Mas o que eu não sabia, conscientemente, é que estudar o caminho é metade dele. Ninguém vive o caminho sem percorrê-lo... os sinais começaram a aparecer, pedindo para eu voltar para a paz. Parar de encher a cabeça, usar a razão, minha grande amiga e pior inimiga, e viver. Simples. Simplicidade...
Sem entender direito, acho que acabei me permitindo levar. Parei de questionar o universo. Me deixei levar por ele, de coração aberto. Re-conheci pessoas velhas, conheci novas... me deixei ser somente um canal.

Vieram coisas boas. Sinais novos.
E viro novo compasso de espera. Será?