12.20.2010

"recuso-me a acreditar nisso que chamam de acaso. Prefiro pensar que são momentos não pensados costurados com precisão por nossas experiências e por nossa vontade de aprender. O mundo sem sentido é tão complexo quanto todo o sentido que queremos dar aos nossos próprios sentimentos.
Prefiro pensar que tudo acontece por um motivo, mesmo que esse motivo só aconteça na parte da frente da linha do tempo. Se pararmos para pensar, nossa vida evolui de modo não linear, e só os tolos podem achar que devemos seguir uma linha para caminhar. Oras, se o mundo é redondo, não há um começo nem fim, somente nós, perdidos em nossas razões, circulando a mesma trilha já caminhada por quem ainda a segue com a veemência de que é uma reta.
Recuso-me a aceitar que todas as experiências são as mesmas, que algo não valeu a pena, que o universo nos faz sofrer por puro sadismo que na verdade impera em nós mesmos, na cegueira de querer ser aceito, ao invés de ser amado.
Prefiro pensar que sou o gigante entre os andantes, que descobri que não há estrada a seguir, não há ponto final a chegar, que a reta é o ponto e o ponto é o nada. Quero imaginar que sou o mais inteligente entre os mortais, porque descobri a imortalidade, a imortalidade que vem com a morte. Acredito que sou o mais sábio entre os errantes, não há nada a ser aprendido, e nem discutido, somente sentido.
Sou a rocha, sou o mar, sou o ar. Sou tudo e nada sou, e me contento com a unidade do vazio."

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