10.25.2010

poema-prosa


É mais fácil falar da dor

Do que viver amor

A dor faz-se de amiga, pesada

Estática.

É mais fácil falar da dor

Do que viver amor.

Ganha-se o consolo, ganha-se a atenção

Perde-se a razão.

O amor é movimento, é busca. O amor busca a diferença. O amor te tira do lugar, dá vontade de gritar, de ajudar, de não parar. O amor te deixa errar, mas não te deixa se conformar. O amor é saber que você está sozinho, e mesmo assim, sabe que quer amar. O amor é completamente insensível às suas expectativas. A dor é a própria expectativa.

Sofrimento não é dor. Sofrimento traz o sacrifício, e o sacrifício é descobrir-se sagrado. E amar. A dor é esconderijo. O amor é refúgio, pois a verdade está revelada dentro de você.

O amor é contra o nosso ego. No amor não há ego, no amor não há eu, no amor não há existência, há convivência. A dor é o nosso ego, ferido, orgulho explícito, medo de mudar.

E estamos tão acostumados a ficar parados, passivos, suplicantes , ignorantes, satisfeitos com o grande volume de nossos vazios, consideramos que é mais importante sermos individuais do que indivíduos, mais importante sermos nós mesmos do que sermos todos.

Deve ser por isso,

Que é mais fácil falar da dor

Do que viver amor.



10.18.2010


Dói mais do que penso
Reprimo
Sei que é inverídico
Não compartilho

Mas é o ego que dói
Na certeza que não errou
Cadê o amor que constrói
Pois é o ego que dói

Queria me livrar da dor
Virar amor
E sentir o sabor
De estar com quem se desejou

Flutuando à deriva
Na espera daquilo que traz a calmaria
Calmaria de ser, e não de estar.

10.14.2010

Se você algum dia duvidar
Que eu possa te amar
Peço que largue a incerteza
E junte-se à beleza

Se pensar que não posso te proteger
Saiba que quero seu bem querer
Ser seu prazer
E por ti sofrer

Lembre que seus lábios me chamam
Seus olhos me encantam
Sua alma me completa

E, um dia, a dúvida será certeza
Meu colo será seu refúgio
E seu semblante será a paz.

Pedem compreensão
Mas não ouvem os compreensivos
Somos complacentes com os incompreendidos
Mas não ouvem os compreensivos

Aqueles que não entendem e aceitam
Aqueles que desistem da luta
Aqueles que são forçados a se retirar

Levados por nosso egoísmo
Não ouvimos os compreensivos
E pedimos aceitação
E nos negamos a ter o não

Vivemos nossos desejos
Atropelamos nossos próximos
E ao depararmos com nossos erros
Nem desculpas nos atrevemos

Ouçam compreensivos
Te tratam como ovelhas
E os lobos à espreita
Te escolhem como próxima presa.


10.13.2010


A dor surge

O medo do abandono retorna

Parado você olha

E não acredita na história

Não há para onde fugir

Não há porque pensar

Racionalizar

Para deixar o medo partir

O agir correto

Se junta à raiva e a sombra

E a desconfiança ronda por perto

Será que alguém avisaria?

Será que não percebi?

Perdi.

A gente divide
E vira oposto
E decide
Não gostar do outro

Claro e escuro
Forte e fraco
Nada e tudo

Diz que a verdade é uma só
Fecha os olhos e fica sem voz
Pede unidade mas não escuta
Quer humildade mas não a sua

Tudo é nada
Nada é tudo
Somos parte
E somos todo



Olho a folha em branco
A procura de um canto

Canto cantar
Canto lugar
Canto tocar

Se transforma em pranto
Ao aguardar o desencanto
Do amor que se espera
Na vinda da primavera

Lugar de ficar
Lugar de orar
Lugar de amar

E volto àquela busca
Que no alto não encontro
E escapo da fuga
Me encontro em meus sonhos

Parar para olhar
Parar de pensar
Experimentar