12.27.2010

"a data encerra um ciclo, o momento é de parada.
Que queremos para nós?
Vivenciamos a divisão, encontramos negação, lutamos na solidão.
Agora segue a reflexão, um novo tempo de percepção, e concepção.
Nada sei se posso esperar, ou mesmo desejar, mas um ponto não deixarei de escapar na nova era que se vislumbra à nossa frente:
tentar."

12.20.2010

"recuso-me a acreditar nisso que chamam de acaso. Prefiro pensar que são momentos não pensados costurados com precisão por nossas experiências e por nossa vontade de aprender. O mundo sem sentido é tão complexo quanto todo o sentido que queremos dar aos nossos próprios sentimentos.
Prefiro pensar que tudo acontece por um motivo, mesmo que esse motivo só aconteça na parte da frente da linha do tempo. Se pararmos para pensar, nossa vida evolui de modo não linear, e só os tolos podem achar que devemos seguir uma linha para caminhar. Oras, se o mundo é redondo, não há um começo nem fim, somente nós, perdidos em nossas razões, circulando a mesma trilha já caminhada por quem ainda a segue com a veemência de que é uma reta.
Recuso-me a aceitar que todas as experiências são as mesmas, que algo não valeu a pena, que o universo nos faz sofrer por puro sadismo que na verdade impera em nós mesmos, na cegueira de querer ser aceito, ao invés de ser amado.
Prefiro pensar que sou o gigante entre os andantes, que descobri que não há estrada a seguir, não há ponto final a chegar, que a reta é o ponto e o ponto é o nada. Quero imaginar que sou o mais inteligente entre os mortais, porque descobri a imortalidade, a imortalidade que vem com a morte. Acredito que sou o mais sábio entre os errantes, não há nada a ser aprendido, e nem discutido, somente sentido.
Sou a rocha, sou o mar, sou o ar. Sou tudo e nada sou, e me contento com a unidade do vazio."

12.13.2010

"Busco o olhar, aquele olhar que ocorre no instante em que os olhos se fecham para o beijo derradeiro ocorrer. Quero o toque que denuncia o desejo, tímido e revelador. Aspirar o aroma do encontro sincero. Quero repetir palavras ditas, poemas já escritos. Quero descobrir-te, revelar-te, sorver toda sua intensidade de forma repetida e contínua.
Quero me perder em você. Quero ser absorvido, puxado de minha realidade, alçado ao voo mais profundo, ao sorriso que não consegue ser escondido, ao olhar mais simples. Descobrir cada detalhe do corpo, fazer o tempo parar no momento do gozo, aceitar tão incrível sina, agradecer ao acaso pelas peças pregadas.
Quero compartilhar sua dor, entender seu sabor, percorrer junto a sua solidão. Quero mostrar quem eu sou, quero esvaziar-se de mim, encher-me de você, formar o novo eu, saborear a nova mistura.
Que a simplicidade se torne única, a intensidade se torne hábito, que o novo se torne curiosidade, que o livro nunca acabe."

12.12.2010

É a chuva
Ou a lágrima de uma luta?
Que escolhe, e escorre
Na minha rua

Aparece tão pura
Lavando a face
Como um dia de chuva

Vem carregada de passado
De escolhas não decididas
Marcando o passo
Andando de cabeça erguida

Não pede por justiça
Por amor escolhe
Pelo ego escorre
E por nada, chove.

12.08.2010

O garoto que olha o quadro
Vê seu próprio borrão pintado
Em uma vida regrada fora do esquadro
Caminha apático.

O garoto que olha o quadro
Sabe que não adianta culpar alguém
Sabe que tem que viver no querer bem
Sabe que tem que ser ninguém

O garoto que olha o quadro
Chora seu próprio borrão
Perdido em seu descontentamento
Isolado na incompreensão

O grito se transforma em cansaço
O cansaço se transforma em apatia
Inconformados com o descaso
Some o brilho que outrora possuía

12.05.2010

Idéias trocadas
Ideal comum
Palavras faladas
Sem sentido nenhum

Vozes se levantam, dizem precaução
Ideais envolvidos sem cuidado
Dizem que agem com o coração
Mas esquecem da verdade que mora ao lado

Travestida na ignorância
A hipocrisia domina e avança
Seguem como cordeiros
Ao fim derradeiro

Haverá tempo para lamentações depois?
Haverá tempo para humildade?
Desculpas pelos dedos apontados
Perceberam que a verdade mora ao lado

Talvez não precisassem ruir
Somente discutir,
Refletir
Julgar o pecado e não o pecador
Considerar que todos temos o mesmo ideal

Por mais que as vezes queiramos fugir
Deparamos com muros invencíveis
Suportados por omissões e meias razões
Tentamos prosseguir

Fazemos todos as mesmas perguntas
Olhamos todos para a mesma realidade
Divagamos nas mesmas dúvidas
Mas uma foi esquecida:

Qual é nosso ideal?

11.25.2010

"tento decifrar-te.

Momentos juntos, cruzamos os olhares, dentro de uma piada, de uma conversa com amigos. Mas eles dizem mais que isso. Os olhos tentam conhecer-se, descobrir o que está por trás deles, são profundos, sérios, enigmáticos. Quero ver o que sua alma diz.

Minha intuição diz que não mais simples olhares, simples momentos passados juntos unidos pelo acaso. Tudo é calculado, desejado, na vontade da descoberta, do saber "será que é real?", "será que sou só eu?".

Imaginação? Pode ser. Mas esperemos que seja algo profundo, com ternura. Mas por enquanto vou cruzando os olhares, tentando galgar essa janela da alma."

11.24.2010

"você, eu não conheço. Você, eu quero conhecer. Quero que me explique porque me deixou tão curioso, mesmo sem saber nada de você.

Algumas coisas eu posso deduzir. O sorriso, por exemplo. Você tem um sorriso especial, que é natural, que encanta os olhos, e que é raro de acontecer. Ou melhor, é raro de perceber.

Você movimenta-se pelos espaços, surge uma graciosidade, será que é perceptível por todos? Será que estou louco?

Você tem a mistura da juventude desenfreada com a maturidade conquistada. Capaz de ficar horas conversando sobre os mais variados temas, sem o medo do julgamento, com a espontaneidade inerente à todos, mas que teimamos em esconder.

É o mistério. Com a certeza que eu que não irei desvendar de primeira, irei conquistando pouco a pouco, lendo-a como aquele livro especial deve ser lido: toda a atenção e com toda a calma, para não perder nenhum detalhe, para nada ficar para trás. E mesmo assim, terminado de ler, posso reler e ainda sim descobrir coisas novas sobre você.

Sinto que você possui aquele raro tipo de beleza, que nasce por dentro e fascina por fora.

Quero conhecê-la, mesmo sem saber. Deve ser porque me apaixonei por você."


11.03.2010

Cai a realidade
Faz-se o mesmo
Nem mais nem menos
As vezes somos pequenos

Erro acerto vejo
Julgo o julgamento
Tento ser o meio
E não ser tão pequeno

Ainda me iludo
Espero o apoio
Não sei ouvir
Ou não quero escutar

Grito minha verdade
Mesmo que ela não seja
Porque tudo é agora e nada é para sempre
E espero pacientemente

A queda do véu de ilusões
A mostra da verdade nos nossos corações
E necessidade de ser eu
Na realidade sermos nós.

10.25.2010

poema-prosa


É mais fácil falar da dor

Do que viver amor

A dor faz-se de amiga, pesada

Estática.

É mais fácil falar da dor

Do que viver amor.

Ganha-se o consolo, ganha-se a atenção

Perde-se a razão.

O amor é movimento, é busca. O amor busca a diferença. O amor te tira do lugar, dá vontade de gritar, de ajudar, de não parar. O amor te deixa errar, mas não te deixa se conformar. O amor é saber que você está sozinho, e mesmo assim, sabe que quer amar. O amor é completamente insensível às suas expectativas. A dor é a própria expectativa.

Sofrimento não é dor. Sofrimento traz o sacrifício, e o sacrifício é descobrir-se sagrado. E amar. A dor é esconderijo. O amor é refúgio, pois a verdade está revelada dentro de você.

O amor é contra o nosso ego. No amor não há ego, no amor não há eu, no amor não há existência, há convivência. A dor é o nosso ego, ferido, orgulho explícito, medo de mudar.

E estamos tão acostumados a ficar parados, passivos, suplicantes , ignorantes, satisfeitos com o grande volume de nossos vazios, consideramos que é mais importante sermos individuais do que indivíduos, mais importante sermos nós mesmos do que sermos todos.

Deve ser por isso,

Que é mais fácil falar da dor

Do que viver amor.



10.18.2010


Dói mais do que penso
Reprimo
Sei que é inverídico
Não compartilho

Mas é o ego que dói
Na certeza que não errou
Cadê o amor que constrói
Pois é o ego que dói

Queria me livrar da dor
Virar amor
E sentir o sabor
De estar com quem se desejou

Flutuando à deriva
Na espera daquilo que traz a calmaria
Calmaria de ser, e não de estar.

10.14.2010

Se você algum dia duvidar
Que eu possa te amar
Peço que largue a incerteza
E junte-se à beleza

Se pensar que não posso te proteger
Saiba que quero seu bem querer
Ser seu prazer
E por ti sofrer

Lembre que seus lábios me chamam
Seus olhos me encantam
Sua alma me completa

E, um dia, a dúvida será certeza
Meu colo será seu refúgio
E seu semblante será a paz.

Pedem compreensão
Mas não ouvem os compreensivos
Somos complacentes com os incompreendidos
Mas não ouvem os compreensivos

Aqueles que não entendem e aceitam
Aqueles que desistem da luta
Aqueles que são forçados a se retirar

Levados por nosso egoísmo
Não ouvimos os compreensivos
E pedimos aceitação
E nos negamos a ter o não

Vivemos nossos desejos
Atropelamos nossos próximos
E ao depararmos com nossos erros
Nem desculpas nos atrevemos

Ouçam compreensivos
Te tratam como ovelhas
E os lobos à espreita
Te escolhem como próxima presa.


10.13.2010


A dor surge

O medo do abandono retorna

Parado você olha

E não acredita na história

Não há para onde fugir

Não há porque pensar

Racionalizar

Para deixar o medo partir

O agir correto

Se junta à raiva e a sombra

E a desconfiança ronda por perto

Será que alguém avisaria?

Será que não percebi?

Perdi.

A gente divide
E vira oposto
E decide
Não gostar do outro

Claro e escuro
Forte e fraco
Nada e tudo

Diz que a verdade é uma só
Fecha os olhos e fica sem voz
Pede unidade mas não escuta
Quer humildade mas não a sua

Tudo é nada
Nada é tudo
Somos parte
E somos todo



Olho a folha em branco
A procura de um canto

Canto cantar
Canto lugar
Canto tocar

Se transforma em pranto
Ao aguardar o desencanto
Do amor que se espera
Na vinda da primavera

Lugar de ficar
Lugar de orar
Lugar de amar

E volto àquela busca
Que no alto não encontro
E escapo da fuga
Me encontro em meus sonhos

Parar para olhar
Parar de pensar
Experimentar

3.06.2010

É chegada a hora do novo. A hora de romper os laços que te ligam ao que era antes, mas agora se torna só reflexo de ações que não eram comandadas por você.
É hora de ser você.
É hora de romper-se.

É chegado o momento de tomar atitudes que estão em harmonia com você. E esmagar aquele que te impede de ser você.

É hora de se satisfazer consigo, e de encontrar a resposta dentro de ti, sabendo que nada que virá externo será suficiente para aplacar sua angústia de querer ser.

Como diz a frase: "definir-se é limitar-se". Quem sou não é mais a questão. Sempre sabemos quem somos, mas quase nunca não nos ouvimos. E nos perdemos.

pax