8.01.2016

era a gota.

Antes era gota. Orgulhosa, teimosa, insistente. Mas era somente uma gota. Depois veio outra, num momento distraído. Gota mais saudosa, sozinha, pesada, determinada em cair. A elas se juntou uma terceira. A terceira trouxe a quarta em seguida, quase como se fossem uma só. O pensamento pesou, os sentimentos confundiram-se, mas o orgulho estava lá.

As quatros gotas acabaram por formar um riacho. Frágil, quase invisível, mas insistente. Queriam virar rio, cair em uma cachoeira, seguir em um lago e se misturar. Tanto forcaram que viraram rio. E o rio desaguou. Virou correnteza, trazendo consigo tudo que um rio caudaloso traz. Turbulento, intenso, arrebatador. Misturou meu orgulho com dor e saudade, e me fez lembrar do que quis esquecer.

O rio, buscando seu caminho para o mar, inundou o que encontrou pelo caminho. Chegou em um lago gigante, que banha um local diferente, que cria estórias estranhas e aniquila sonhos. A gota, que era riacho, rio e lago, virou motivo. Uniu-se com outras gotas, que insistem em cair daqueles que sabem que erram. Que esperam o passado, Que desejam voltar. Que enxergam sua própria solidão.

A gota me convidou a mergulhar no lago.


Talvez eu já tenha mergulhado e nem sabia.