Eu jamais
me atreveria tentar entender, ou explicar o sentimento das pessoas mais próximas
a ele. Afinal, apesar de conhecê-lo um pouco, não era tão próximo dele.
Por isso,
prefiro lembrá-lo pelos momentos que passei com ele. E admirá-lo pela
felicidade e fé das pessoas mais próximas a ele.
O que eu
sei, é o que todos sabem: ele é especial. Ele tocou as pessoas. Sua história
fez muitos mudarem, fez muitos se unirem, muitos orarem. Surgiu muito alarde
também. Talvez até um princípio de “oba-oba”, alguma mitificação exagerada,
coisas que não concordei na época.
Na verdade,
lembro mais dele pela felicidade simples que ele me passava durante o tempo que
estive junto dele. Da risada que ele dava quando me pediu para ficar fazendo
cavalos de pau nas ruas da Riviera de São Lourenço, quando fomos viajar. De
ficarmos jogando futebol americano e bumerangue no meio da praia. Das piadas
sujas e completamente impróprias de serem escritas aqui. De noites jogando
videogame. Da sua fé inabalável (que eu, questionador e às vezes polêmico, não conseguia
compreender). E de como ele fazia bem para o meu afilhado de crisma.
Uma semana
depois de ele ter ido de encontro ao pai, por culpa daqueles desígnios secretos
maravilhosos de Deus, tive que passar, por causa do trabalho, na frente da Riviera de São Lourenço. Fui, vistoriei uma obra, e na volta, não aguentei e
entrei na Riviera. Fui até a mesma rua que, alguns meses atrás, ele havia me
pedido para fazer os cavalos de pau com o carro. E fiz de novo, chorando de
tristeza e felicidade, completamente em paz. E, naquele momento,
girando com o carro, entendi um pouco do que ele foi para mim, o que foi para
nós.
O nosso
milagre.
Um ano se
passou. E pode passar a vida inteira. Mas aquele momento, que eu fiquei girando
meu carro numa rua de areia, com todo aquele turbilhão de emoções, e ao mesmo
tempo, em paz, já é suficiente para eu agradecer a Deus pela vida que tive.
Obrigado
Renato.