7.22.2009

Escala humana

Sempre fui uma pessoa que gosta de andar. E com cinco anos de faculdade de arquitetura, e mais uns 7 meses de vida profissional, confesso que meu olhar para a cidade ficou um pouco mais crítico. E uma das coisas que eu gosto mais de reparar e teorizar é sobre a relação da escala humana, o campo de visão das pessoas, com o que está construído.

Primeiramente, sou contra muros. É praticamente impossível o mercado pensar em prédios residenciais sem muros ultimamente, mas para mim é um fechamento para o público extremamente prejudicial. Considerado isso, vou falar pensando em áreas comerciais, como por exemplo, as avenidas e áreas comerciais, como o centro de São Paulo.

Para mim, um prédio só me interessa se o "térreo" (colocado aqui como alcance da visão em uma rua) é bem trabalhado. Tanto na questão de acessibilidade, acabamentos, interação com a rua (um conceito que quero desenvolver é a calçada como praça). Depois disso, olho para todo o formato do prédio. A idéia de prédios comerciais ou residenciais com térreo de lojas me agrada demais. Dá uma vida para o entorno, cria uma sensação de vizinhança (há muito tempo perdida para mim).

Em compensação, a forma do edifício me agrada quando vejo grandes skylines, ou aberturas, como avenidas. Na Paulista, por exemplo, os edifícios não tem muita identidade visual individualmente (salvo alguns exemplos, como o MASP e o Centro Cultura Itaú), mas no conjunto, formam uma identidade bem característica para a avenida. Isso acontece em outras áreas, como a av. Nações Unidas, a av. Faria Lima, etc.

Confesso, que para mim, o térreo não deveria ter recuos laterais, só frontais, onde seria obrigado a interação com a rua, convidando o transeunte a participar da arquitetura construída, permitindo a permeabilidade de passagens e criação de caminhos (calçada como praça). Alguns elementos são ótimos para definir o público do privado, como o degrau, ou rampas leves.

Um ótimo exemplo (elitista, é verdade) de interação que eu gostei muito e a praia de Guaecá, em São Sebastião. Lá, a rua é somente para o acesso às casas, tornando-se totalmente discreta na organização da circulação. A "rua" verdadeira é um grande gramado, que liga todas as casas da quadra, sem muros, que se extende até a praia, permitindo a interação entre as residências. Não por acaso, grandes relações de amizade começaram lá.

Ainda vou desenvolver mais esse assunto (quem sabe um mestrado), mas eu realmente torço para que consigamos converter nossa cidade, que atualmente é muito segregadora, em um espaço mais integrador...

pax

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