“as vezes você fica oculta. As vezes aparece com força. Não consigo explicar, deve ser parte do todo que forma o meu eu. É aquela vontade de estar, querer compartilhar.
Deve ser a mais profunda carência que aparece, quando olho os outros naquele momento, aquele momento que não posso desfrutar agora. Já o desfrutei, mas agora é o vazio.
É a vontade de viver a vida burguesa, de contemplar os sábados à noite, os passeios no parque, as risadas incontidas, os segredos feitos à dois. É criar o momento mais puro, o de maior perdição, de contemplar as formas, acariciar os sentidos, chorar juntos.
Talvez eu queria poder divagar, imaginar, viajar, mas sempre seguro por aquele envolto que só a intimidade pode criar. São as estórias a criar, músicas para marcar, locais para lembrar.
Não é a busca pelo passado, nem a promessa de um futuro. É o presente, somente ele no qual podemos lidar todas nossas expectativas, nossos sonhos, nossos mundos, nossos futuros.
Poderia clamar pela injustiça, mas estaria me rendendo ao meu egoísmo. Poderia valorizar a falta de, dizer “por quê?”, tentar a qualquer preço. Porém, há de se entender que não se pode mandar em sentimentos, apenas aprender a conviver com esses seres que constroem a graça da vida, e sempre fazem pouco caso de nossas escolhas, como se dissessem “tu razão, saibas que não controlas nada, nós que estamos aqui vamos dizer aonde ir, a ti só poderás tentar explicar, nunca mandar”.
Mas fico feliz de você aparecer. Apesar de parecer que dói, posso inverter e dizer que sou eu mesmo tentando dizer que meu tempo pregresso se foi, o novo aparecerá, e o que busca não é mais somente o prazer, o imediato, o engraçado. Buscas agora o que te faz crescer, florescer, sobreviver.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário