escrevo palavras soltas. Soltas porque meus pensamentos são soltos. E escrevo, porque são desejos. Desejos que precisam ser livres, em forma de pensamento. Escrevo desejos, que são palavras soltas. O anseio da escrita me persegue como forma de jorrar um gozo de algo desconhecido. Escrevo porque meus desejos estão envoltos de medo. Egoístas, os escrevo, porque com eles transcrevo vontades de minha alma. E tudo é sentido. Escrevo, porque assim alivio o peso do peito, transformado em palavras. Escrevo, com o desejo de esvaziar e encher essas linhas sem sentido. Escrevo numa tentativa vã de juntar o que vejo com o que sinto. Digito palavras pelo prazer de vê-las saindo, formando idéias que são novas até para mim. Escrevo para poder amar. Amo minhas palavras, meus desejos, meus anseios. Escrevo sonhos. Porque deixam de ser sonhos e se transformam em letras, e qualquer um pode interpretá-las, juntá-las, e criar seu sonho. Fujo escrevendo, tento chegar perto escrevendo. A magia da escrita não pertence a mim. Pertence a quem lê. E eu, sendo meu leitor, crio e recrio meu mundo dentro das palavras, que vieram de mim, mas não são minhas. E as reorganizo, para criar meus sonhos novos.
Escrevo sofrimentos. Escrevo histórias, me revelo em poemas. As letras não são minhas. Nunca serão. São do mundo, igual à mim. Sou de ninguém e sou de todos, igual letras. Escrevo porque sou vontade do meu ego.
Escrevo porque não sou escritor. Sou igual minhas palavras, um ajuntado, um amontoado, que, dependendo de quem lê, pode, um dia, fazer algum sentido.
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