"Olá você.
ao que me parece, passei um bom tempo longe de ter permitir entrar. Estranho isso. Eu não permitir você em minha vida.
O mundo prega umas pessoas interessantes na gente. Não acredito em ter que passar por problemas para crescer, em uma relação obrigatória, mas em sim encarar os problemas e crescer com eles. Enxergo isso agora.
Eu me afastei de você. Por quê? Tu que és tão importante nas nossas vidas, como pode eu ter me afastado disso? Tá certo que eu não enxergava você na plenitude, afinal tinha olhos de criança, provavelmente eu não enxergava, mas sentia profundamente. Ou gosto de imaginar que eu sentia. Afinal, sem falsa modéstia, tinha bons motivos para ser invejado: família, escola, casa, amigos, não me faltava nada na época. Se eu reclamava para você algo que faltava, desculpe. Mas devia ser alguma birrazinha de adolescente.
Porém, algo mudou. Algo mudou que me acertou profundamente. Tão profundamente que te reneguei, porque ao mesmo tempo em que você traz felicidade, uma falta de ti traz uma dor profunda e incompreensível, pelo menos para mim na época. Junto da dor, perdi um exemplo e uma segurança. Perdi um rumo. E minha primeira atitude foi falar que eu não precisava desse exemplo, e não sentia falta do meu rumo e da minha segurança. A negação total. Já me falaram que nesse primeiro momento, essa negação foi importante, pois me manteve de pé no meio de um turbilhão intenso de emoções externas e problemas que eu não sabia, mas não cabia para eu resolver. Eu até mesmo passei na faculdade! E ainda fui a um lugar onde comecei a te conhecer com uma plenitude diferente. E naquele dia, eu chorei. Depois de muito tempo, chorei lágrimas sinceras.
Mas diante das adversidades, minha negação continuou. Estava tão cômodo assim. Até que minha negação atingiu você. E a negação virou angústia. Engraçado. A angústia começa devagar, mas vai crescendo e nos consumindo.
E o que eu posso considerar mais peculiar de tudo, é que eu estava te procurando, te estudando, e dizendo para outras pessoas como você é bom. Mas e eu? Você não quis participar da minha vida também não?
Logicamente tomei outro baque. Se antigamente tinha duas muletas de apoio, perdi a primeira quando jovem e a segunda nesse baque. E simbora a andar sozinho. E sem você! Apesar de eu me achar grande conhecedor de ti.
Não deu certo. E acabei arruinando. Devagar, sem eu perceber. Mas cada vez mais a tristeza se apoderando, falta de futuro, só vivendo.
Mas você resolveu reaparecer. Tá, só reapareceu porque eu te desafiei. Mas eu vejo hoje que esse desafio foi uma necessidade inconsciente minha de querer te achar. Na verdade, de perceber realmente que eu precisava primeiro de você, para eu resolver todo meu resto. E depois de dois meses do desafio, te senti! E chorei de novo, lágrimas sinceras. E me deixou disposto a manter a relação com sua pessoa. Vale a pena.
Sabe que eu aprendi? Que a dor faz parte. Não é você quem cria, mas é você que ajuda a cessar. E agora eu estou tentando melhorar. Admito que ainda erro bastante, mas com você, algumas coisas estão ficando mais fáceis.
Bom amor, me despeço aqui. Com votos de continuidade na relação...
manda um abraço pros outros dois também."
pax
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