9.15.2009

Cartas não entregues III

"zonzo. Sinto-me sem chão.

Em apenas duas horas, eu fui do céu para a terra. Caído, de cabeça.

Novos motivos. Quando achava que minha problemática era uma, viraram várias, simultâneas, imediatas. E tudo aquilo que passou no fatídico final de semana? Não me vale mais nada? "Eu acredito em você." Eu sei. Mas isso ficou suficiente? Afinal, para mim, isso deveria ser o start mais que necessário para eu recomeçar. Por que inserir um outro processo?

Sou fraco, constato. Fraco de não conseguir essa força absurda que recebi, e ser obrigado a mais, a pedir mais a receber mais. Onde estou no meio disso tudo? Fui inocente ao achar que antigos problemas sumiriam sozinhos. Mas eu estava empenhado a resolvê-los.

Agora, me volta à mesmice. A falta de planos, objetividade, a falta de querer fazer mais. Por quê? Estava tão animado com tudo e todos à minha volta, tudo parecia estar se encaixando de novo, novas possibilidades de solução, tentativas e erro, entendimento. E aquele final de semana fatídico. Como tudo me parece dar errado de novo?

Instintivamente, me voltei ao que era. Péssimo, mas também como dialogar com alguém que já trouxe uma solução premeditada, e só veio me comunicar, mesmo que amavelmente? E ainda considerou uma muleta. Uma muleta! Como pode! Será que não te conhecem? Por isso, me recorri a ti. Mas com vergonha. Como eu poderia pedir mais? Já tinha me dado tudo? E repito o que disse anteriormente. Sou fraco.

De novo, perdi o controle. Estava quase tudo ao meu alcance, na minha alçada. Não mais. Quando achei que estava forte para enfrentar, e preparando meu ataque, tomo o contra golpe. Sem conseguir me defender. Abri-me, e de novo me sinto apunhalado. Mas apunhalado pela velocidade, e não pelo fato em sim.

Amigo, me socorre. O fator tempo é tão importante para mim. Não me sinto nem um pouco preparado para resolver isso já. A vergonha, a humilhação. Por que erramos? Não consigo acreditar que tudo vem do passado. Nossas ações estão no presente! Não é tudo pelo inconsciente. É banalizar demais meu lado racional, é banalizar demais minhas escolhas, é tirar minha capacidade de decisão.

Amigo, se tu nos dá a liberdade de escolher, como pode os outros ceifarem isso? Mas não num sentido escravocrata. Mas no meio interior de cada um. Sinto-me de novo sem escolha.

Amigo, me desculpe. Mas não consigo entender todo esse turbilhão. Lembra-te das outras cartas? Eu achei que estava caminhando a uma solução. Estava tão simples, tão óbvio, tão puro, como deve ser. Porém, a névoa voltou. E o pior, ontem senti que perdi a confiança. Não em ti, mas nos outros. De novo.

Me encerro aqui, e se eu pudesse pedir mais uma coisa, eu pediria basicamente o pedido de sempre: dá-me mais sabedoria."

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